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Entrevista com Fábio Seixas - Parte 2 - Marketing

24 September, 2008 por Diego Monteiro
Postado em: Redes Sociais, Empreendedorismo

Essa é a continuação da entrevista feita com o Fábio Seixas, o criador do site Camiseteria. Na primeira parte conversamos sobre Empreendedorismo e negócios! E ele surpreendeu quando disse a forma como conseguiu investimento, vendendo camisetas para amigos antes de elas serem feitas.

Nessa segunda parte conversamos sobre as preciosas lições de Marketing que podemos tirar desse case de sucesso.

5) O Camiseteria não compete por preços, mas sim com um serviço diferenciado adicionada de uma comunidade em volta dele. Me parece que vocês não anunciam no Buscapé (onde o forte é a comparação de preços), nem pagam por cliques no Google Adwords (sistema de anúncio das buscas do Google).Certo?

Certo. Obviamente chegamos a testar essas suas opções de publicidade, mas optamos por usar o relacionamento como principal ferramenta de marketing.

Nesse contexto o Camiseteria se insere como uma empresa de nicho, e sendo assim como é possível a sua expansão? A única via seria criar outras empresas como “bolsaria”, “calçaria” e etc? Quais são seus planos para expandir o Camiseteria?

O Camiseteria é uma empresa de nicho, mas o que percebemos é que se trata de um nicho muito grande. Costumamos dizer que quem usa camisetas são jovens de 8 a 80 anos. Ou seja, todos usam camisetas e existe um mercado enorme ainda a ser explorado e conquistado. Mas isso não impede a expansão para outros nichos similares como acessórios, por exemplo. Nosso plano de expansão é um misto de atuação online com atuação offline.

6) Você disse na entrevista ao blog Biz Revolution que o objetivo do Camiseteria é “valorizar o mercado de design nacional”, nesse sentido você pensa em disponibilizar o Camiseteria em outros países? Esse objetivo é maior do que permitir às pessoas comprarem camisetas diferenciadas?

O Camiseteria tem um conjunto de objetivos. Valorizar o design nacional é um deles. Camisetas diferenciadas é, sob certo aspecto, um meio para atingir esse objetivo. A expansão internacional é uma possibilidade e vemos como uma forma de levar para fora as criações de designers brasileiros.

7) Cada vez se consolida a tendência do Marketing de gerar comunidades em vez de ficar seduzindo clientes com propaganda de massa, como a Camiseteria faz muito bem. No entanto esse tipo de Marketing não é restrito a empresas de nicho que vendem produtos especializado? Seria possível usar tal Estratégia / Marketing com empresas que vendem produtos “commodity” como faz a Amazon nos EUA e o Submarino no Brasil?

Em termos de nicho, quanto menos específica for a empresa, mais difícil é criar o senso de comunidade. Mas ainda assim, acredito que é possível criar comunidades em empresas que vendem commodity. A Amazon tem uma grande comunidade, mas mesmo assim não existe um senso tão grande de comunidade. Empresas como a Amazon e o Submarino poderiam criar mini-comunidades dentro de suas grandes comunidades. Poderiam criar um canal de relacionamento só para clientes que gostam de livros do Harry Potter, clientes entusiastas por fotografia ou mesmo esportistas fãs da Nike. Comunidade é sinônimo de pessoas com gostos semelhantes. O fato de uma empresa vender de tudo, não a impede de agrupar de alguma forma, pessoas com os mesmos interesses.

Entrevista com Fábio Seixas - Parte 1 - Empreendedorismo

22 September, 2008 por Diego Monteiro
Postado em: Empreendedorismo

Estou publicando aqui uma entrevista feita por mim ao Fábio Seixas, dono do site de comércio eletrônico Camiseteria. Essa entrevista está sendo publicada aqui e no meu blog pessoal.

Li recentemente uma entrevista do Fábio Seixas, criador do site de comércio eletrônico Camiseteria, que fatura mais de 1 milhão de reais por ano com apenas 7 funcionários! A entrevista foi no blog Biz Revolution, lendo a entrevista fiquei com vontade de fazer mais perguntas e usei meu blog para isso!

Separei a entrevista em duas partes, a primeira sobre Empreendedorismo… que fala mais da parte de criar um negócio do zero, sobre inovar! E na segunda parte que postarei amanhã, trata de Marketing. Como as empresas podem repensar o Marketing na época em que as pessoas se agrupam em comunidades virtuais e redes sociais, além de toda tecnologia disponível (e barata) para melhorar o valor dos produtos.

Empreendedorismo - Camiseteria

1) Você poderia falar um pouco sobre a história do Camiseteria e seus números atuais. Como começou o camiseteria? Quantos funcionários tinham e como você conseguiu investimento para implementar a idéia? Atualmente tem quantos funcionários e faturamento? Qual é o crescimento atual?

O Camiseteria começou quando eu e meu sócio, Rodrigo David, enxergamos a oportunidade de desenvolver o modelo de negócios de concursos de estampas aqui no Brasil. Isso foi no final de 2004. Em 2005 começamos a desenvolver a empresa e em agosto desse ano, conseguimos lança-la ao público.

Atualmente são 7 pessoas trabalhando no Camiseteria. Uma equipe pequena e muito motivada. Nosso investimento inicial foi feito pelos próprios sócios e através da ideia de que seria possível vender camisetas com desconto para nossos amigos antes mesmo da empresa existir, apenas com a idéia na cabeça. Dessa forma, vendemos a oportunidade de comprar camisetas com 50% de desconto 4 meses antes de empresa sequer ser lançada. Com isso, levantamos todo o capital necessário para criar a empresa. Atualmente crescemos num ritmo muito bom, aumentando nosso faturamento mês a mês. Em 2008 devemos dobrar nossso faturamento em relação a 2007.

2) Vocês se inspiraram no Threadless para fazer o site… Porém, como vocês desenvolveram a logística do negócio? Foi na tentativa e erro, já tinham experiência nisso ou fizeram benchmark e pesquisa por ai?

Eu criei minha primeira empresa de e-commerce em 1997 quando existiam poucas iniciativas. Era uma loja que vendia posters. Nessa época adiquiri algum conhecimento de logística, mas foi no Camiseteria que as coisas aconteceram pra valer. Aqui desenvolvemos nossos próprios processos e ferramentas. Basta um pouco de criatividade e bom senso. E muita tentativa e erro.

3) Você esteve no ano passado no evento de startups em São Francisco (EUA), o TechCrunch40 e teve contato com diversos empreendedores americanos. A que fatores você acha que há muito menos startups no Brasil do que nos Estados Unidos? Muitos apontam que um dos fatores é a falta de Venture Capital nas terras brasileiras, porém isso talvez não seja conseqüência e não causa do baixo número de empreendedores?

Sim, existem muito mais startup nos EUA do que no Brasil, mas isso não significa que hajam poucas startups por aqui. O Brasil é um país empreendedor por natureza. O que dificulta nem é tanto a falta de acesso a capital, mas sim a burocracia excessiva. Também não acho que valha copmparar EUA com Brasil no tangente a Venture Capital. A economia americana é muito maior e mais dinâmica. O Brasil ainda tem um longo caminho pela frente para criar um ambiente favorável ao empreendedorismo.

Eu defendo que não é preciso muito capital para criar uma empresa. O Camiseteria é a prova viva disso. Defendo, na maioria dos casos, o conceito de Bootstrap como forma de viabilizar financeiramente uma startup.

4) Se você voltasse no tempo para a época do início do Camiseteria, o que você teria feito diferente?

Acho que não mudaria muito. Até porque os erros fazem parte do aprendizado. Se não tivesse errado nada, não teria aprendido nada.

Mundo da Web 2.0 - Parte VI

8 September, 2008 por Diego Monteiro
Postado em: Web 2.0, Redes Sociais

6 - Qual a avaliação de vocês sobre a Via6? O retorno está alinhado com o que vocês imaginavam? Como foi o processo do aporte de capital que vocês receberam?

Diego>
Estamos satisfeitos com o desenvolvimento que a comunidade vem tendo, passamos dos 290 mil usuários e temos tido uma boa recepção da mídia em geral.

O processo de aporte de capital foi riquíssimo para nosso desenvolvimento pessoal, aprendemos muito sobre negócios e se relacionar com diferentes tipos de pessoas (imprensa, colaboradores, fornecedores, investidores e etc.). Além disso percebermos o que realmente curtimos fazer, trabalhar e o quanto estamos dispostos comprometer nossa vida pessoal por dinheiro.

Mundo da Web 2.0 - Parte V

5 September, 2008 por Diego Monteiro
Postado em: Web 2.0, Redes Sociais

5 -As organizações, de um modo geral, estão preparadas para extrair o máximo de proveito do potencial que as redes sociais oferecem? Vocês poderiam citar um caso de sucesso e um de fracasso?

Diego>
A questão é se as empresas realmente precisam tirar o máximo do potencial das redes sociais, ou em vez disso o máximo que a sua realidade da empresa permite nesse momento. Citando o filósofo chinês Lao Tzu “A mais longa jornada começa com um único passo”, querer começar uma jornada no último passo só sobra o cainho de “andar pra trás”, o fracasso. Um exemplo claro foi a Budweiser que lançou a TV
Budweiser com a intenção de ser um Youtube particular da empresa para divulgação com orçamento milionário e produções hollywoodianas. O resultado foi que em alguns meses eles anunciaram que iriam tirar o site do ar por falta de acesso.

Já um caso de sucesso é o do HSBC aqui no Brasil, onde o CEO criou um blog interno para se aproximar dos milhares de funcionários do banco. Sem se expor na Web em geral, um projeto pequeno mas muito relevante e um grande passo para a colaboração da empresa. Não tenho dúvidas que a cultura do HSBC vai levá-los a ter muitos outras iniciativas como essa ao longo do tempo com enormes benefícios.

Renato>
Não. Poucas empresas estão realmente entendendo as redes sociais, pois seus gestores não vivenciam as redes, como faz o jovem de 17 anos. Também, estão esperando fórmulas prontas para entrar nesse mundo, mas essas fórmulas ainda não existem.

Mundo da Web 2.0 - Parte IV

3 September, 2008 por Diego Monteiro
Postado em: Web 2.0, Redes Sociais

4- Na opinião de vocês, permitir que os públicos interno e externo de uma empresa tenham 100% de liberdade ao se expressarem não pode ser considerado um risco, uma vez que não há como controlar rumores infundados e ataques à sua reputação?

Diego>
A liberdade de se expressar não é um risco em si, mas como é feito isso e em que contexto. O grande problema das empresas aproveitarem o conceito de colaboração e Web 2.0, é que normalmente é feito um radicalismo entre “entrar de cabeça”, transformando tudo em rede social livre, ou ceticismo total, numa tentativa de se isolar do mundo e lutar contra a maré. Nos dois casos é uma luta perdida. Caso seja um processo verdadeiro, sem cinismo, e comprometido a gerar valor, em vez de “aparecer” com certeza os riscos não existirão.

Renato>
Sim, é um risco, mas com o qual que todas as empresas deverão lidar. Já não é mais uma questão de escolha.

Mundo da Web 2.0 - Parte III

1 September, 2008 por Diego Monteiro
Postado em: Web 2.0, Redes Sociais

3- Que oportunidades as redes sociais na web podem trazer para as empresas?

Diego>
Inúmeras como o Crowdsourcing, Co-Criação, Divulgação e Comunicação. As empresas podem fazer com que os seus próprios clientes tirem dúvidas de outros, como acontece espontâneamente com as comunidades de celulares no Orkut ou como fez a Locaweb que criou um fórum para que os próprios clientes ajudassem uns aos outros, a isso é chamado de Crowdsourcing. Outra possibilidade é a empresa criar seus produtos junto com o seu público como fez a Boticário que ouve as sugestões dos consumidores no Orkut e lança novos produtos baseados nisso ou a Dell que nos EUA criou um sistema de sugestões para seus serviços chamado Ideastorm, esses são exemplos de co-criação da empresa com o cliente.

Além disso, também pode-se pensar na divulgação de novos produtos em redes sociais, usando os próprios usuários para gerarem conteúdo, como fez o Club Med da França ao permitir que hóspedes coloquem em seus blogs sobre sua estadia e colocar fotos no Flickr do seu dia-dia no Resort.

Renato>
As redes sociais estão inseridas em um contexto em que já fazem parte da vida das pessoas, contando com a interação delas, de modo muito mais pessoal que outros meios de comunicação. Utilizar as redes sociais para falar com as pessoas, se feito do modo correto, pode gerar laços muito mais fortes com os consumidores, gerando até mesmo entusiastas das marcas. Além disso, toda essa cultura de colaboração, compartilhamento e troca, pode gerar muito valor tanto na comunicação e feedback, como na construção de novos produtos e soluções.